sábado, 25 de outubro de 2008

MARCELO CURCI - 22 ANOS CAPITÃO DE MEGA IATE

" Zarpei do Brasil com meus pais aos 16 anos e terminei o Segundo Grau a bordo, por correspondência. Chegamos em "St Maarten" em abril de 2005, eu com 18 anos, sem saber “o que” fazer da vida. A única coisa que eu sabia era que eu queria continuar no mar. Foi quando apareceu um Mega Iate brasileiro de 102'. Eles precisavam de um “Deckhand”(ajudante de convés) e em maio de 2005 eu já estava trabalhando. Fizemos o Caribe várias vezes e depois a costa do USA. Após 7 meses fui promovido a “First Mate” (primeiro imediato). Éramos em 5 a bordo. Viajamos pela América do Sul, Caribe, USA, Europa e Ásia e após 3 anos desembarquei. Trabalhei em outros barcos e fui fazendo muitos cursos pra ter um CV competitivo sempre. Hoje aos 22 anos trabalho como capitão de um “Privilege 745”, um catamaran de 74 pés. Não é uma vida fácil, tem seus prós e contras.... viajei por diversos lugares, mais de 25 países diferentes, amigos em todas partes e de diversas nacionalidades... não gasto com nada.
Tenho alimentação, uniforme, passagem de avião pras férias, sempre comendo do bom e do melhor a bordo com fartura total, o barco está sempre nos melhores lugares e ainda se o barco estiver interessado em vc, eles te pagam cursos ... Em contrapartida o trabalho é duro a bordo, em época de charter, chegamos a trabalhar entre 16h e 20h por dia durante 20 dias seguidos. Esses barcos grandes, chamados de Mega Iates são como hotéis 5 estrelas flutuantes. É serviço quase que 24h por dia. Tem também a parte de adaptação com a tripulação, vc tem que conviver com pessoas estranhas em confinamento por dias até ser liberado por um “day off”(folga) que geralmente ocorre em dias escolhidos, um por semana, sempre em turnos, para que o barco nunca fique sozinho. A saudade é forte, da família, dos amigos, namoradas......as férias são ou de 6 meses por 15 dias ou 1 ano por 30 dias. Como vcs podem ver, não é uma vida pra qualquer um! A maioria do pessoal jovem vem para essa área pois é legal viajar com tudo pago por ai, apesar do trabalho duro, os salários são altíssimos, se faz uma carreira reconhecida internacionalmente, é uma boa forma de juntar dinheiro rápido porém poucos estão realmente dispostos a levar essa vida a diante.É um meio bem competitivo como qualquer outro. Existem diversos cursos; o básico requerido para entrar a bordo de um M/Y (Mega Iate) como “Deckhand” é o STCW95. É um curso de uma semana sobre primeiros socorros, responsabilidades sociais, combate a incêndio e sobrevivência no mar. Ensina como salvar uma pessoa a bordo na ausência de um médico, ensina sobre a convivência com os demais a bordo, a combater incêndio e como agir no caso do barco afundar. Geralmente os barcos fazem revisões sobre esses aspectos para ninguém esquecer. Depois desse existem cursos para cada posição a bordo, First Mate (primeiro imediato), Skipper(Capitão), Stewardess( camareira), Engenheiro, Bosum( chefe de convés) . Vc pode ainda ter cursos de mergulho, windsurf, kitesurf, que sempre contribuem. Como eu queria seguir a carreira de Capitão, tirei o “Yacht Master Offshore 200ton”, a licença profissional mais reconhecida no meio. Depois deste curso tem o 300ton, 500, 1500 e 3000ton, p quem quiser voar alto!!!!! O que ajuda pra um capitão também seria um curso de administração, pois esta profissão hoje em dia não é só navegação, exige também administração do barco,em relação a tripulação, fornecedores de equipamentos, toda burocracia do barco, com documentos e a navegação é a parte prazerosa da profissão. Tenho também certificados de mergulho, até o “Rescue Diver”. Parei o ” Dive Máster” pela metade, mas pretendo terminar. Para entrar no mercado, existem agências de tripulação que funcionam muito bem, porém o melhor é o seu "QI": "Quem Indica" ! Esse funciona muito melhor e foi desta forma que eu consegui o emprego que eu tenho hoje. Graças aos NOSSOS amigos Cid e Junia que trabalham em barcos também e principalmente graças a coragem e determinação dos meus pais de tomar a decisão de sair do Brasil de veleiro, com dois adolescentes (eu e meu irmão Mateus, que hoje também trabalha a bordo, sendo Chef ). O que não faltou foi gente falando que eles eram malucos, que era tudo loucura mas hoje posso falar que foi a melhor coisa que me aconteceu!!!
Por Marcelo Curci Vicente, o Marcelinho, 22 anos, Capitão de um Privilege 745, no momento nas Ilhas Gregas

2 comentários:

Anônimo disse...

Very good......

Anônimo disse...

Well well well......