
Eu velejo desde os 12 anos. Desde então, o mar se tornou meu maior objetivo de vida. Quero ganhar dinheiro com ele, quero viver nele, quero me divertir nele e quem sabe criar meus filhos nele.
Morei em Ilhabela 10 anos.Comecei na escolinha de vela, comprei um “magnun” e depois um “laser”... aí não teve como me separar mais! Participei de regatas, fiz alguns circuitos de oceano no canal de São Sebastião e Alcatrazes. Foi nesse meio que conheci a pessoa que me chamou para tripular o “Atrevida”, escuna clássica de 83 pés.
A minha primeira reação foi de descrença, como eu, uma menina de 17 anos, na época, com pouca experiência em grandes travessias, estava sendo chamada para realizar o grande sonho da minha vida: morar em um barco e desbravar o mundo.
A proposta era de passar 2 anos embarcado, conhecendo e parando nos melhores lugares (se é que existe algum lugar melhor que outro) com o intuito de participar da “Antigua Sailing Week”. Logo de imediato, topei a idéia, antes mesmo de entender melhor o que eu faria a bordo. Tive inúmeros encontros com a “skipper”(capitã), para ela me passar essas informações e cheguei a conhecer o dono do veleiro.
Na época a contratação estava entre eu, que pesava por não ter vícios profissionais e poder me moldar a rotina do barco e outra pessoa com mais idade e experiência. A decisão foi pela outra pessoa. Com isso, eu fui morar em São Paulo. Resolvi seguir minha vida, e focar no ingresso á faculdade.
Foram 5 meses intensos entre a proposta e o balde de água fria. Em junho de 2007 comecei a trabalhar em uma agência de publicidade, onde me projetei, caso não rolasse mais, por enquanto, o mar. Me preparei para vestibulares, me inscrevi em alguns.
Até que recebi um telefonema da “skipper” do Atrevida, me chamando para tripular o barco novamente.
Não hesitei e aceitei! Foi assim, que recebi a notícia de estar contratada para a tal sonhada viagem.
Confesso, foi difícil tomar a decisão de largar a oportunidade de já estar em contato com a área profissional que escolhi - publicidade; largar os vestibulares, pois depois desse enfático telefonema, óbvio que não consegui mais me concentrar nessas ambições "terrenas"; largar família e amigos por um bom tempo.
Mas se eu não fosse, eu não seria mais eu. Não faria juz ás minhas ambições e viveria com o fantasma do "e se...".
Meus pais entenderam, apesar de não concordarem muito.
Enfim, joguei tudo pro ar e decidi ir embora. Pude passar o natal e fim de ano com amigos e familiares e embarquei final de janeiro para Trinidad-Tobago.
Assim que cheguei, encontrei o barco no seco. Ele estava passando por reformas e sendo preparado para a regata em Antigua e travessia do Atlântico. Minha função era organizar fisicamente as coisas, relacionar tudo o que houvesse a bordo, limpar e supervisionar o bom funcionamento do Atrevida. Foram dias bem cansativos, começávamos às 9h e só parávamos às 18h.
A capitã nos dava listas do que fazer e íamos fazendo conforme às necessidades que surgiam. As minhas tarefas eram mais difíceis de se cumprirem naqueles dias, porque o barco estando no seco e passando por manutenções, recebia muita gente. Eram pintores, técnicos, eletricistas, engenheiros... Quando o Atrevida foi para água, esta lindo! A tripulação era formada por 4 pessoas: A capitã, swardess, deckhand, engineer. Todos, esgotados mais felizes pelo prazo cumprido e enfim estarmos no mar. Tivemos alguns contratempos e não pudemos cumprir com as datas estipuladas por motivos técnicos, nos impedindo de continuar a viagem. Fomos informados que não faríamos mais o que planejamos e todos ficaram muitos tristes. Eu aproveitei para inventariar o veleiro, fechar caixas passados, organizar pastas de manuais e papéis de tudo quanto é importância... vocês não imaginam o que tem de coisas, e papéis num mega veleiro.
Lógico, nem só de suor vive o homem... mesclávamos trabalho e curtição. O que não é muito difícil quando se trabalha com o que ama.
Depois de um mês, o Atrevida estava lindo, novo, cheiroso, organizado, funcionando por dentro e por fora. Mas vivíamos com a possibilidade de regressar ao Brasil e entramos várias vezes em parafuso! Ninguém queria voltar, não fazia sentido! Mas foi o que aconteceu. Fomos informados que deveríamos voltar o quanto antes ao nosso país de origem. Depois disso, o “deckhand” resolveu não voltar e pediu demissão. Eu quase fiz o mesmo... mas não tive muita opção de trabalho, sem experiência suficiente e sem inglês fluente tive de ficar a bordo. Eu estava pirando... 
Ia pegar mar grosso!!! Os dois capitães, resolveram voltar costeando nosso litoral, ou seja, vento e corrente contra o tempo todo.
Partímos dia 16 de março, ás 4h da manhã... abastecemos e adeus Caribe! Nas duas primeiras semanas, eu era um zumbi, uma morta viva sem estômago... depois que me acostumei, passei a curtir todos os instantes e aprender com os feras a bordo.
No total, 21 dias de travessia (Trindad-Ilhabela), com uma parada em Recife, para abastacer. Apesar do curto tempo, essa experiência foi incrível. Não me arrependo e sei que vou voltar a essa outra dimensão de vida. É muito bacana a vivência, tudo que se precisa é coragem. Coragem para ir... é uma vida despregada de horários, dias, formalidades. As pessoas trabalham de férias. Nos 3 meses que estive embarcada, usei sapato 2 vezes, calça? 3 vezes... Das pequenas coisas, das mais corriqueiras até as mais potenciais a gente percebe que é uma vida que se ama ou se odeia. Não há meio termo. Eu amo, sou fascinada! Sinto, sei que vou voltar, vou ser uma hóspede do mundo...
Eu, hoje, moro em São Paulo, faço faculdade de Publicidade e Propaganda. Termino daqui 3 anos e meio... já já estou no meu “marzão”!
Amanda Desmonts Silva, teve a experiência de trabalhar a bordo de um Mega Iate de 83`.
Morei em Ilhabela 10 anos.Comecei na escolinha de vela, comprei um “magnun” e depois um “laser”... aí não teve como me separar mais! Participei de regatas, fiz alguns circuitos de oceano no canal de São Sebastião e Alcatrazes. Foi nesse meio que conheci a pessoa que me chamou para tripular o “Atrevida”, escuna clássica de 83 pés.

A minha primeira reação foi de descrença, como eu, uma menina de 17 anos, na época, com pouca experiência em grandes travessias, estava sendo chamada para realizar o grande sonho da minha vida: morar em um barco e desbravar o mundo.
A proposta era de passar 2 anos embarcado, conhecendo e parando nos melhores lugares (se é que existe algum lugar melhor que outro) com o intuito de participar da “Antigua Sailing Week”. Logo de imediato, topei a idéia, antes mesmo de entender melhor o que eu faria a bordo. Tive inúmeros encontros com a “skipper”(capitã), para ela me passar essas informações e cheguei a conhecer o dono do veleiro.

Na época a contratação estava entre eu, que pesava por não ter vícios profissionais e poder me moldar a rotina do barco e outra pessoa com mais idade e experiência. A decisão foi pela outra pessoa. Com isso, eu fui morar em São Paulo. Resolvi seguir minha vida, e focar no ingresso á faculdade.
Foram 5 meses intensos entre a proposta e o balde de água fria. Em junho de 2007 comecei a trabalhar em uma agência de publicidade, onde me projetei, caso não rolasse mais, por enquanto, o mar. Me preparei para vestibulares, me inscrevi em alguns.
Até que recebi um telefonema da “skipper” do Atrevida, me chamando para tripular o barco novamente.
Não hesitei e aceitei! Foi assim, que recebi a notícia de estar contratada para a tal sonhada viagem.

Confesso, foi difícil tomar a decisão de largar a oportunidade de já estar em contato com a área profissional que escolhi - publicidade; largar os vestibulares, pois depois desse enfático telefonema, óbvio que não consegui mais me concentrar nessas ambições "terrenas"; largar família e amigos por um bom tempo.
Mas se eu não fosse, eu não seria mais eu. Não faria juz ás minhas ambições e viveria com o fantasma do "e se...".
Meus pais entenderam, apesar de não concordarem muito.
Enfim, joguei tudo pro ar e decidi ir embora. Pude passar o natal e fim de ano com amigos e familiares e embarquei final de janeiro para Trinidad-Tobago.
Assim que cheguei, encontrei o barco no seco. Ele estava passando por reformas e sendo preparado para a regata em Antigua e travessia do Atlântico. Minha função era organizar fisicamente as coisas, relacionar tudo o que houvesse a bordo, limpar e supervisionar o bom funcionamento do Atrevida. Foram dias bem cansativos, começávamos às 9h e só parávamos às 18h.

A capitã nos dava listas do que fazer e íamos fazendo conforme às necessidades que surgiam. As minhas tarefas eram mais difíceis de se cumprirem naqueles dias, porque o barco estando no seco e passando por manutenções, recebia muita gente. Eram pintores, técnicos, eletricistas, engenheiros... Quando o Atrevida foi para água, esta lindo! A tripulação era formada por 4 pessoas: A capitã, swardess, deckhand, engineer. Todos, esgotados mais felizes pelo prazo cumprido e enfim estarmos no mar. Tivemos alguns contratempos e não pudemos cumprir com as datas estipuladas por motivos técnicos, nos impedindo de continuar a viagem. Fomos informados que não faríamos mais o que planejamos e todos ficaram muitos tristes. Eu aproveitei para inventariar o veleiro, fechar caixas passados, organizar pastas de manuais e papéis de tudo quanto é importância... vocês não imaginam o que tem de coisas, e papéis num mega veleiro.
Lógico, nem só de suor vive o homem... mesclávamos trabalho e curtição. O que não é muito difícil quando se trabalha com o que ama.
Depois de um mês, o Atrevida estava lindo, novo, cheiroso, organizado, funcionando por dentro e por fora. Mas vivíamos com a possibilidade de regressar ao Brasil e entramos várias vezes em parafuso! Ninguém queria voltar, não fazia sentido! Mas foi o que aconteceu. Fomos informados que deveríamos voltar o quanto antes ao nosso país de origem. Depois disso, o “deckhand” resolveu não voltar e pediu demissão. Eu quase fiz o mesmo... mas não tive muita opção de trabalho, sem experiência suficiente e sem inglês fluente tive de ficar a bordo. Eu estava pirando... 
Ia pegar mar grosso!!! Os dois capitães, resolveram voltar costeando nosso litoral, ou seja, vento e corrente contra o tempo todo.
Partímos dia 16 de março, ás 4h da manhã... abastecemos e adeus Caribe! Nas duas primeiras semanas, eu era um zumbi, uma morta viva sem estômago... depois que me acostumei, passei a curtir todos os instantes e aprender com os feras a bordo.
No total, 21 dias de travessia (Trindad-Ilhabela), com uma parada em Recife, para abastacer. Apesar do curto tempo, essa experiência foi incrível. Não me arrependo e sei que vou voltar a essa outra dimensão de vida. É muito bacana a vivência, tudo que se precisa é coragem. Coragem para ir... é uma vida despregada de horários, dias, formalidades. As pessoas trabalham de férias. Nos 3 meses que estive embarcada, usei sapato 2 vezes, calça? 3 vezes... Das pequenas coisas, das mais corriqueiras até as mais potenciais a gente percebe que é uma vida que se ama ou se odeia. Não há meio termo. Eu amo, sou fascinada! Sinto, sei que vou voltar, vou ser uma hóspede do mundo...Eu, hoje, moro em São Paulo, faço faculdade de Publicidade e Propaganda. Termino daqui 3 anos e meio... já já estou no meu “marzão”!
Amanda Desmonts Silva, teve a experiência de trabalhar a bordo de um Mega Iate de 83`.






Um comentário:
Ola, tenho lido o blog ultimamente e adoro ler os relatos da experiencia dentro e fora de barcos... Tenho um superinteresse em embarcar no mundão, mas como qualquer mortal, vivo no conflito de terminar a faculdade, andar de bicicleta e ter uma vida social intensa em São Paulo... Espero que em alguma época da minha vida eu tenha a oportunidade de (passar mal por duas semanas de enjoos-{normal né?}-e mais duas semanas de trabalho(curtição)árduo).Continuem escrevendo mais mesmo em terra! Abraços
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