sábado, 16 de janeiro de 2010

CURSOS PROFISSIONALIZANTES NA INDÚSTRIA NÁUTICA INTERNACIONAL

Os cursos que vamos relacionar neste post estão diretamente ligados aos Iates de todos os tamanhos. Desde os pequenos veleiros e infláveis ate os luxuosos Megaiates.
O aluno ou trabalhador do mar, que também é conhecido como Marinheiro ou Seaman (em inglês), tem que passar por vários estágios durante seu credenciamento e habilitação legal . Os cursos selecionados por nós foram escolhidos principalmente pelo critério de reconhecimento internacional.
As Carteiras da Marinha Brasileira ?
Queremos em primeiro lugar esclarecer que as habilitações de amadores emitidas pela marinha do Brasil (Arrais, mestre e capitão) são muito úteis aos alunos que assimilarem os assuntos e matérias ali abordadas, porem são bem pouco úteis na hora de conseguir trabalho no exterior exceto em barcos de pequeno porte e privados. Isso não quer dizer que não seja valido adquiri-las. Quase todos os assuntos ali tratados são parte dos cursos feitos no exterior. É a oportunidade de aprender a maior parte da matéria em português e dessa forma facilitando em muito o aprendizado em inglês.
Vai aqui, aparte, um apelo para que a marinha passe a dar uma melhor apresentação as suas carteiras. As carteiras de hoje não passam de um feio papel plastificado que deixa todos de nariz torto com dúvidas de sua autenticidade. Que tal uma cédula em papel especial, bem acabada com impressão colorida e difícil de ser copiada.
Marujo Enlatado?
Já a algumas décadas que é possível em paises como a Inglaterra EUA e França que uma pessoa leiga sem nunca ter pisado em um barco venha a cursar um pacote de cursos e saia ao final de alguns meses completamente credenciado para comandar um Iate de digamos 200 toneladas. Qualquer um que tenha uma boa experiência como navegante sabe que esta pessoa esta longe de estar qualificado para a função a que acaba de ser habilitada e que somente os anos de convívio com o mar e as infinitas venturas e desventuras possíveis fariam dele um marinheiro competente. Ora se por um lado isso pode ser uma injustiça aos tantos que fizeram do mar fonte de sustento e lazer ao decorrer de suas vivencias, vamos ter que admitir, que os mares de outrora já não são os de hoje. E a tendência é de mais e mais restrições e regulamentações entrarem em vigor. Só com experiência, por mais extensa que seja, não é mais suficiente para conseguir se empregar, e o oposto também é verdadeiro pois só as carteiras não são suficientes. É necessária alguma habilitação! O marinheiro moderno tem que ter experiência e estar habilitado.

Onde começar?
Hoje depois de ter percorrido os estágios iniciais de nossa carreira náutica, nos já nos sentimos aptos a aconselharem novatos quanto ao caminho das pedras. Não há duvida que as três habilitações de amadores ( Arrais, mestre e capitão) emitidas pela marinha são incrivelmente úteis para fundamentar o seu conhecimento náutico. O conhecimento ali ira ser usado e reusado infinitamente por todos a bordo de embarcações, mesmo que a sua função seja na sala de máquinas ou na manutenção no interior do barco.
Mas para arrumar trabalho em qualquer posto não há duvida que o curso STCW-95 (veja tudo sobre, em outro post neste blog) é pré requisito numero um junto ao domínio da língua inglesa. Podemos afirmar que mais de 75% dos empregadores vão exigir esta credencial.
A seguir o iniciante já está apto a se empregar em grandes barcos, navios de cruzeiro e muitos outros postos a bordo.
Seguir a carreira daí em diante vai depender de qual são suas preferências e aptidões.
Uns seguirão carreira na casa de maquinas, outros na cozinha ou no cuidado como interior das embarcações e outros ainda trabalharão no convés com intenções de seguir carreira como imediatos ou capitães.
Nas escolas e academias citadas aqui vocês irão encontrar cursos em todas estas áreas.
Tanto a inglesa RYA (Royal Yachting Association) quanto a IYT (International Yachting Training) possuem igual reconhecimento internacional e estão disponíveis em uma rede de cursos espalhados por muitos paises. Aqui no Brasil ainda não temos uma escola que credencie com reconhecimento internacional mas há diversos cursos para o STCW.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

TEMPORADA 2009 DE TRABALHO NO CARIBE

Sempre recebemos e mails perguntando sobre trabalho e pessoas pedindo ajuda para se colocar dentro do mercado de trabalho no mundo náutico! Este ano, estivemos ocupados 100% do tempo, trabalhando em BVI, inclusive sem tempo de escrever no site, gostaríamos de pedir desculpa a todos por isso!
Falando um pouco sobre a temporada que passou, a crise que o mundo todo está enfrentando, infelizmente chegou no Caribe, muita gente desempregada, muita gente sendo demitida e voltando para o seu país de origem, muita gente a procura de trabalho! A indústria de charter caiu pelo menos 40 % e para o ano que vem dizem que estáo reduzindo ainda mais a sua frota de barcos....
É desanimador, comparado ao ano passado que era uma facilidade de se empregar por aqui!!!
É claro que isso tudo é ralativo: os meninos do ALMA por exemplo, chegaram em St Maarten em janeiro e em uma semana apresentamos um pessoal e acabaram os três empregados fazendo mergulho comercial. Náo é o melhor emprego do mundo, mas como ninguém quer fazer pois é um pouco perigoso, eles se deram bem e acabaram fazendo uma grana durante os três meses que investiram nisso. Ao contrario disso, quem veio para cá esperando entrar em megaiate de primeira, acabou voltando para casa devido a esta maldita crise! Eles estáo sem dó em demitir o pessoal e náo estáo contratando ninguém....
Nós seguimos trabalhando na The Moorings, graças a Deus, por mais um ano, antes de partir para o Pacifico sul , previsto para março de 2011!!! Este emprego é graças ao relacionamento que desenvolvemos em quase 3 anos e meio de trabalho com a cia!!!
Vamos torcer para que tudo melhore no mundo e que a situaçao se normalize o mais breve possível.
De qualquer forma estamos a disposiçao para ajudar quem precisar!



quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

PROCURANDO POR TRABALHO???



Aqui, um link da revista CREW LIFE, distribuida por todo o Caribe, onde mostra e mails e contatos de empresas que administram mega iates que estao precisando de tripulaçao para esta temporada!


Corra que ainda é tempo... se precisar, conte conosco!!!!!!


terça-feira, 25 de novembro de 2008

RECRUTAMENTO DE PESSOAL P MEGA IATES NO CARIBE

Anúncio saído no jornal local de St Martin no mês de novembro/2008.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

MATEUS CURCI VICENTE, 19 ANOS , CHEF DE COZINHA DE UM MEGA IATE DE 74'

Como descrever a vida trabalhando a bordo? Não sei, mas eu não troco por nenhuma outra. Tem coisa melhor que cozinhar e navegar o mundo ao mesmo tempo? Mas como nada na vida é muito fácil, você morar e trabalhar no mesmo lugar pode ser ás vezes complicado. Imagina morar 24h por dia com seu chefe? A sua privacidade é muito pouca, sem dúvida alguma, mas não se pode ter tudo. Eu tenho a sorte de trabalhar como Chef de cozinha no veleiro que meu irmão (o Marcelo) é Capitão, o que facilita bastante as coisas. Comecei a trabalhar em Mega Iates com 16 anos, embarquei num Iate de 100’ de charter no Caribe como “Deck hand” (Ajudante de convés), o Marcelo na época era First Mate (Primeiro Imediato). Foi nesse barco que eu aprofundei meu gosto pela cozinha, aprendi muita coisa com o Chef que trabalhava a bordo e aos poucos fui vendo que esse era o meu caminho: ser Chef em Mega Iates! Depois de um ano e meio a bordo o Capitão me perguntou se eu queria ser o Chef a bordo, eu já tinha aprendido bastante coisa, porém ser Chef de cozinha de um barco de 100’ com 17 anos era um desafio para mim...Estavamos na Espanha, fiz um curso de culinária muito bom em Alicante , o “CDT Castillo de San Fernan”, que me ajudou muito. Dai pra frente tive a certeza que não queria outra coisa.
Hoje (com quase 19 anos) estou trabalhando como Chef no veleiro que o Marcelo é Capitão. Está sendo uma experiência ótima poder velejar e cozinhar ao mesmo tempo. Agora é pensar no futuro pois em janeiro eu começo um curso em Londres, o “Cordon Bleu”, um dos mais renomados na área da culinária e vai ser um grande passo pra minha carreira. Pode não parecer mas a posição de Chef em Mega Iates está cada vez sendo mais requisitadas e muito bem remunerada, dependendo do nível e experiência. Um Chef pode ganhar quase igual a um Capitão! O curso STCW 95 é indispensável mesmo para Chefs. Quanto ao trabalho em si, quando os donos do barco estão a bordo o trabalho é puxado, mas divertido, não tenho tempo para mas nada o dia inteiro, é acordar cedo e dormir de madrugada... Quando se trabalha em barcos de charter o trabalho é mais pesado, porém tem os “tips”(gorjetas) que geralmente são bem “gordos”, dependendo da temporada, você pode dobrar seu salário com esses “tips”. Eu não pretendo sair dessa vida tão cedo... tem coisa melhor do que você fazer o que gosta viajando pelos lugares mais bonitos do mundo com tudo pago e recebendo por isso? As pessoas me falam que eu tenho que ir trabalhar em algum restaurante ou um grande hotel pois “é assim que você vai pegar experiência e fazer nome...” Mas eu não concordo, uma vez que você passa a morar e trabalhar em um barco você se acostuma com a liberdade e não é fácil voltar e se “enfiar” numa cozinha de restaurante que não balança e nem anda!!!

Por Mateus Curci Vicente, 19 anos, Chef de Cozinha de Mega Iate

sábado, 25 de outubro de 2008

MARCELO CURCI - 22 ANOS CAPITÃO DE MEGA IATE

" Zarpei do Brasil com meus pais aos 16 anos e terminei o Segundo Grau a bordo, por correspondência. Chegamos em "St Maarten" em abril de 2005, eu com 18 anos, sem saber “o que” fazer da vida. A única coisa que eu sabia era que eu queria continuar no mar. Foi quando apareceu um Mega Iate brasileiro de 102'. Eles precisavam de um “Deckhand”(ajudante de convés) e em maio de 2005 eu já estava trabalhando. Fizemos o Caribe várias vezes e depois a costa do USA. Após 7 meses fui promovido a “First Mate” (primeiro imediato). Éramos em 5 a bordo. Viajamos pela América do Sul, Caribe, USA, Europa e Ásia e após 3 anos desembarquei. Trabalhei em outros barcos e fui fazendo muitos cursos pra ter um CV competitivo sempre. Hoje aos 22 anos trabalho como capitão de um “Privilege 745”, um catamaran de 74 pés. Não é uma vida fácil, tem seus prós e contras.... viajei por diversos lugares, mais de 25 países diferentes, amigos em todas partes e de diversas nacionalidades... não gasto com nada.
Tenho alimentação, uniforme, passagem de avião pras férias, sempre comendo do bom e do melhor a bordo com fartura total, o barco está sempre nos melhores lugares e ainda se o barco estiver interessado em vc, eles te pagam cursos ... Em contrapartida o trabalho é duro a bordo, em época de charter, chegamos a trabalhar entre 16h e 20h por dia durante 20 dias seguidos. Esses barcos grandes, chamados de Mega Iates são como hotéis 5 estrelas flutuantes. É serviço quase que 24h por dia. Tem também a parte de adaptação com a tripulação, vc tem que conviver com pessoas estranhas em confinamento por dias até ser liberado por um “day off”(folga) que geralmente ocorre em dias escolhidos, um por semana, sempre em turnos, para que o barco nunca fique sozinho. A saudade é forte, da família, dos amigos, namoradas......as férias são ou de 6 meses por 15 dias ou 1 ano por 30 dias. Como vcs podem ver, não é uma vida pra qualquer um! A maioria do pessoal jovem vem para essa área pois é legal viajar com tudo pago por ai, apesar do trabalho duro, os salários são altíssimos, se faz uma carreira reconhecida internacionalmente, é uma boa forma de juntar dinheiro rápido porém poucos estão realmente dispostos a levar essa vida a diante.É um meio bem competitivo como qualquer outro. Existem diversos cursos; o básico requerido para entrar a bordo de um M/Y (Mega Iate) como “Deckhand” é o STCW95. É um curso de uma semana sobre primeiros socorros, responsabilidades sociais, combate a incêndio e sobrevivência no mar. Ensina como salvar uma pessoa a bordo na ausência de um médico, ensina sobre a convivência com os demais a bordo, a combater incêndio e como agir no caso do barco afundar. Geralmente os barcos fazem revisões sobre esses aspectos para ninguém esquecer. Depois desse existem cursos para cada posição a bordo, First Mate (primeiro imediato), Skipper(Capitão), Stewardess( camareira), Engenheiro, Bosum( chefe de convés) . Vc pode ainda ter cursos de mergulho, windsurf, kitesurf, que sempre contribuem. Como eu queria seguir a carreira de Capitão, tirei o “Yacht Master Offshore 200ton”, a licença profissional mais reconhecida no meio. Depois deste curso tem o 300ton, 500, 1500 e 3000ton, p quem quiser voar alto!!!!! O que ajuda pra um capitão também seria um curso de administração, pois esta profissão hoje em dia não é só navegação, exige também administração do barco,em relação a tripulação, fornecedores de equipamentos, toda burocracia do barco, com documentos e a navegação é a parte prazerosa da profissão. Tenho também certificados de mergulho, até o “Rescue Diver”. Parei o ” Dive Máster” pela metade, mas pretendo terminar. Para entrar no mercado, existem agências de tripulação que funcionam muito bem, porém o melhor é o seu "QI": "Quem Indica" ! Esse funciona muito melhor e foi desta forma que eu consegui o emprego que eu tenho hoje. Graças aos NOSSOS amigos Cid e Junia que trabalham em barcos também e principalmente graças a coragem e determinação dos meus pais de tomar a decisão de sair do Brasil de veleiro, com dois adolescentes (eu e meu irmão Mateus, que hoje também trabalha a bordo, sendo Chef ). O que não faltou foi gente falando que eles eram malucos, que era tudo loucura mas hoje posso falar que foi a melhor coisa que me aconteceu!!!
Por Marcelo Curci Vicente, o Marcelinho, 22 anos, Capitão de um Privilege 745, no momento nas Ilhas Gregas

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

AMANDA DESMONTS SILVA 18 ANOS TRIPULANDO UM MEGAIATE DE 83`


Eu velejo desde os 12 anos. Desde então, o mar se tornou meu maior objetivo de vida. Quero ganhar dinheiro com ele, quero viver nele, quero me divertir nele e quem sabe criar meus filhos nele.
Morei em Ilhabela 10 anos.Comecei na escolinha de vela, comprei um “magnun” e depois um “laser”... aí não teve como me separar mais! Participei de regatas, fiz alguns circuitos de oceano no canal de São Sebastião e Alcatrazes. Foi nesse meio que conheci a pessoa que me chamou para tripular o “Atrevida”, escuna clássica de 83 pés.
A minha primeira reação foi de descrença, como eu, uma menina de 17 anos, na época, com pouca experiência em grandes travessias, estava sendo chamada para realizar o grande sonho da minha vida: morar em um barco e desbravar o mundo.
A proposta era de passar 2 anos embarcado, conhecendo e parando nos melhores lugares (se é que existe algum lugar melhor que outro) com o intuito de participar da “Antigua Sailing Week”. Logo de imediato, topei a idéia, antes mesmo de entender melhor o que eu faria a bordo. Tive inúmeros encontros com a “skipper”(capitã), para ela me passar essas informações e cheguei a conhecer o dono do veleiro.

Na época a contratação estava entre eu, que pesava por não ter vícios profissionais e poder me moldar a rotina do barco e outra pessoa com mais idade e experiência. A decisão foi pela outra pessoa. Com isso, eu fui morar em São Paulo. Resolvi seguir minha vida, e focar no ingresso á faculdade.
Foram 5 meses intensos entre a proposta e o balde de água fria. Em junho de 2007 comecei a trabalhar em uma agência de publicidade, onde me projetei, caso não rolasse mais, por enquanto, o mar. Me preparei para vestibulares, me inscrevi em alguns.
Até que recebi um telefonema da “skipper” do Atrevida, me chamando para tripular o barco novamente.
Não hesitei e aceitei! Foi assim, que recebi a notícia de estar contratada para a tal sonhada viagem.
Confesso, foi difícil tomar a decisão de largar a oportunidade de já estar em contato com a área profissional que escolhi - publicidade; largar os vestibulares, pois depois desse enfático telefonema, óbvio que não consegui mais me concentrar nessas ambições "terrenas"; largar família e amigos por um bom tempo.
Mas se eu não fosse, eu não seria mais eu. Não faria juz ás minhas ambições e viveria com o fantasma do "e se...".
Meus pais entenderam, apesar de não concordarem muito.
Enfim, joguei tudo pro ar e decidi ir embora. Pude passar o natal e fim de ano com amigos e familiares e embarquei final de janeiro para Trinidad-Tobago.
Assim que cheguei, encontrei o barco no seco. Ele estava passando por reformas e sendo preparado para a regata em Antigua e travessia do Atlântico. Minha função era organizar fisicamente as coisas, relacionar tudo o que houvesse a bordo, limpar e supervisionar o bom funcionamento do Atrevida. Foram dias bem cansativos, começávamos às 9h e só parávamos às 18h.
A capitã nos dava listas do que fazer e íamos fazendo conforme às necessidades que surgiam. As minhas tarefas eram mais difíceis de se cumprirem naqueles dias, porque o barco estando no seco e passando por manutenções, recebia muita gente. Eram pintores, técnicos, eletricistas, engenheiros... Quando o Atrevida foi para água, esta lindo! A tripulação era formada por 4 pessoas: A capitã, swardess, deckhand, engineer. Todos, esgotados mais felizes pelo prazo cumprido e enfim estarmos no mar. Tivemos alguns contratempos e não pudemos cumprir com as datas estipuladas por motivos técnicos, nos impedindo de continuar a viagem. Fomos informados que não faríamos mais o que planejamos e todos ficaram muitos tristes. Eu aproveitei para inventariar o veleiro, fechar caixas passados, organizar pastas de manuais e papéis de tudo quanto é importância... vocês não imaginam o que tem de coisas, e papéis num mega veleiro.
Lógico, nem só de suor vive o homem... mesclávamos trabalho e curtição. O que não é muito difícil quando se trabalha com o que ama.
Depois de um mês, o Atrevida estava lindo, novo, cheiroso, organizado, funcionando por dentro e por fora. Mas vivíamos com a possibilidade de regressar ao Brasil e entramos várias vezes em parafuso! Ninguém queria voltar, não fazia sentido! Mas foi o que aconteceu. Fomos informados que deveríamos voltar o quanto antes ao nosso país de origem. Depois disso, o “deckhand” resolveu não voltar e pediu demissão. Eu quase fiz o mesmo... mas não tive muita opção de trabalho, sem experiência suficiente e sem inglês fluente tive de ficar a bordo. Eu estava pirando...
Ia pegar mar grosso!!! Os dois capitães, resolveram voltar costeando nosso litoral, ou seja, vento e corrente contra o tempo todo.
Partímos dia 16 de março, ás 4h da manhã... abastecemos e adeus Caribe! Nas duas primeiras semanas, eu era um zumbi, uma morta viva sem estômago... depois que me acostumei, passei a curtir todos os instantes e aprender com os feras a bordo.No total, 21 dias de travessia (Trindad-Ilhabela), com uma parada em Recife, para abastacer. Apesar do curto tempo, essa experiência foi incrível. Não me arrependo e sei que vou voltar a essa outra dimensão de vida. É muito bacana a vivência, tudo que se precisa é coragem. Coragem para ir... é uma vida despregada de horários, dias, formalidades. As pessoas trabalham de férias. Nos 3 meses que estive embarcada, usei sapato 2 vezes, calça? 3 vezes... Das pequenas coisas, das mais corriqueiras até as mais potenciais a gente percebe que é uma vida que se ama ou se odeia. Não há meio termo. Eu amo, sou fascinada! Sinto, sei que vou voltar, vou ser uma hóspede do mundo...
Eu, hoje, moro em São Paulo, faço faculdade de Publicidade e Propaganda. Termino daqui 3 anos e meio... já já estou no meu “marzão”!
Amanda Desmonts Silva, teve a experiência de trabalhar a bordo de um Mega Iate de 83`.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

TRABALHO NO CARIBE

A principio o cruzeirista que está no Brasil e que deseja sair pelo mundo velejando enfrenta logo a realidade crua de que terá que abandonar o trabalho. Diante desta constatação a primeira coisa que vem a cabeça é que a sua história venderia revistas e iria atrair diversas cias em busca de patrocínio. TREMENDO ENGANO. A energia e tempo que se gasta através do patrocínio pode ser muito bem investida na busca de trabalho "além mar". A grande maioria dos velejadores que conhecemos aqui em torno de 99,9% esteve atrás de patrocínio na fase de soltar as amarras, apenas 0,01 conseguiram alguma coisa que valesse comentar. Não podemos citar Amyr Klink,
Beto Pandiani ou mesmo a família Schurmann. Os primeiros são expedicionários e os outros pioneiros. Se vc não está disposto a atravessar o Cabo Horn em um Hobbie Cat ou infelizmente não pode mais ser o primeiro a velejar pelos trópicos ao redor do mundo, estará fadado a não aparecer no "Fantástico".Aí vem a nossa experiência pessoal de 5 anos ganhando a vida pelo Caribe. O fato é que não falta trabalho para quem tem disposição. O primeiro fator que ajuda imensamente é o domínio da lingua inglesa apesar de não ser essencial. O segundo ponto é sem dúvida a sua habilidade em aprender as profissões vinculadas ao mar.
Não estamos nos referindo a sair do Brasil com o curso de mecâanica a diesel ou mestre em conserto de vela. Só o que vc precisa é de disposição.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

STCW 95 - CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA MARÍTIMA

A INTERNATIONAL MARITIME ORGANIZATION (IMO), é um Órgão da ONU, com sede em Londres, com mais de 190 membros da comunidade marítima internacional, responsável pela Codificação, padronização de procedimentos de tudo que se relaciona à salvaguarda da vida humana no mar.
A IMO, na Convenção de 1995, emendou o Código STCW (1978) e o Brasil é signatário desta Convenção.




O QUE É?

“SEAFARER’S TRAINING, CERTIFICATION and WATCHKEEPING” Code (STCW) – é o Código que estabelece os padrões de competência exigidos dos tripulantes para exercer suas funções a bordo de Navios.

O Código STCW, de 1978, foi emendada pela Convenção da IMO, de 1995 e ratificada pelo Brasil.
A Diretoria de Portos e Costas (DPC), da Marinha Brasileira, Autoridade Marítima Brasileira responsável pelos cumprimentos deste Código.

PARA QUE SERVE?

Serve para atestar que o tripulante embarcado foi devidamente treinado, qualificado e adestrado nos fundamentos de segurança marítima preconizados pelo STCW, para exercer, com segurança, suas atividades a bordo.

O porte do Certificado STCW é obrigatório para todos os candidatos a uma vaga para embarque em Navios de Cruzeiros que navegam no mundo inteiro.


QUAL O PROPÓSITO GERAL DO CURSO?

Qualificar o aluno, não-tripulante, para tarefas a bordo de navios de passageiros, exceto nos navios de passageiros ro-ro, dando-lhe conhecimentos básicos sobre medidas de segurança a bordo, de acordo com a Regra V/3, parágrafos 4 e 6, e na Regra VI/1 da Convenção STCW-1978, como emendada e Seção A-V/3, parágrafos 1e 3, Seção A-VI/1, Tabelas A-VI/1-1 a 1-4 do Código STCW-1978, como emendado.



Disciplinas:

*** SEGURANÇA PESSOAL E RESPONSABILIDADE SOCIAL
*** PRIMEIROS SOCORROS ELEMENTAR
*** PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO
*** TÉCNICAS DE SOBREVIVÊNCIA PESSOAL E PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA

O candidato, no ato da matrícula, deverá apresentar à instituição que vai ministrar o curso cópia e o original (para verificação) ou cópia autenticada que comprovem:
* Ter mais de dezoito (18) anos, no dia da matrícula;
* Ter concluído o ensino fundamental;
* Atestado de boas condições de saúde física e mental.
Será considerado aprovado o aluno que:
* Obtiver nota igual ou superior a 6,0 (seis), em uma escala de 0 a 10 (zero a dez) na avaliação teórica e alcançar o conceito satisfatório nas atividades práticas.
* Tiver a freqüência mínima exigida (90%).

COMO OBTER O CERTIFICADO?

No Brasil:
A RIO SHIP,no RJ e a SEAMAN em Paraíba do Sul/RJ realizam o treinamento e concedem o CERTIFICADO de Competência aos que concluírem, com aproveitamento, o citado treinamento.

No Caribe:
A MARITIME SCHOOL OF WEST INDIES em St Maarten e a SEA SCHOOL em St Thomas ministram estes cursos por aqui!

domingo, 29 de junho de 2008

CHARTER 6 A 13 DE JULHO / 2008 - BVI

Tripulação esperando os convidados
Aqui vamos contar um pouco como é o nosso trabalho fazendo Charters!
Ficamos uma semana a bordo de um Jeaneau 54` chamado KWE HERI, trabalhando pela MOORINGS YACTH CHARTERS.
Tripulação: Galdo - Skipper, Andy - Cheff
e uma família paulista *** tri legal *** composta por: Mauro, Andréa e seus filhos - Vitor de 6 anos e Luan de 5 anos (DUAS FOFURAS DE CRIANÇAS), com suas TITIAS - Vanessa e Milene.
Pela primeira vez fazemos um charter para brasileiros. Foi muita coincidência e como a semana foi toda especial, vamos contar detalhes aqui para vcs ...

SE DIVIRTAM...





Chegamos em Road Town 2 dias antes de zarparmos, para preparação do barco. Isso inclue checar se tudo esta funcionando bem, equipamentos de segurança, provisionamento(fazer as compras da semana pois não existe mercado nas ancoragens)e arrumação do barco.
O gerador foi trocado, a geladeira foi consertada , saimos pra comprar peixes, frutas, verduras, bebidas e demais coisas para nao faltar nada durante a semana. Só precisamos parar para comprar pão fresco, gelo e abastecer de água.
Tudo pronto!! Esperamos os convidados com um drink de "boas vindas" e uma mesa de frutas tropicais ou de "tapas".
Por má sorte, as malas de nossos convidados foram extraviadas, mas isso não foi problema, zarpamos assim que as apresentações foram feitas... e depois de mergulhar na água azul turquesa as malas foram rapidamente deixadas para segundo plano, só lembradas uma semana depois, na hora de embarcar de volta pro Brasil...

WELCOME ABOARD




Por menos de U$ 9.000,00 vc aluga um barco tripulado(Capitão & Chef) com 3 cabines (+ 1 pra tripulacao) com refeições por 7 dias, passeando por toda a ilha, nas ancoragens mais inusitadas do mapa terrestre.
VANTAGEM DE ALUGAR UM BARCO TRIPULADO:
Vc consegue aproveitar seu tempo inteiro com mil atividades, acordar cedo para fazer snorkel, andar de caiaque, nadar, passear de bote, além de comer saudável em grande estilo todas as refeições do dia preparadas com todo o requinte de um hotel 5 estrelas. Não precisa se preocupar em ancorar o barco, procurar lugar mais abrigado etc...
CONCLUSÃO:
Vc aproveita 100% de suas férias, desde que acorda até qdo deita!
Dividindo isso por 3 cabines daria U$ 1.500,00 por pessoa, o que é muito barato se vc pensar no custo benefício, refeições inclusas e vc não gasta com absolutamente mais nada, até pq por aqui não existem lojas para vc gastar!


Vale a pena economizar!

PODE TER CERTEZA QUE SUA DIVERSÃO SERÁ GARANTIDA POR NÓS!!!
PERGUNTE AOS NOSSOS CONVIDADOS!!!



O Galdo nos puxa de dinghy com um cabo que tem uma argola de 2 em 2 metros para colocar a mão, desta forma vc consegue fazer snorkel sem se cansar e em tempo de conhecer todos os lugares com precisão, coisa que se vc fosse fazer nadando demoraria em cada ancoragem talvez uma tarde, fazemos em 40 ou 50 minutos um costão inteiro para partir para outro lugar... É uma delícia, vc vai vendo absolutamente todo o fundo do mar!!!!





Galdo brincando com as crianças, levando convidados na praia, Andy buscando convidados na praia e jogando a âncora!


Apesar de nos divertirmos junto com os convidados, o trabalho é duro, sério e requer atenção e dinâmismo. Galdo e responsável por dirigir o barco, manutenção de algo que pode quebrar no decorrer da semana além de ajudar na limpeza do barco. Andy é responsável pela limpeza, organização e todas as refeições do barco, o que inclui café da manhã, snacks, 28 sobremesas, 28 entradas e 28 pratos principais, diferentes. Haja criatividade!!!! Vc tem que ter em mente o que fazer primeiro, como legumes, frutas e verduras que estragam com mais facilidade, carnes que descongelam mais rápido, dar prioridade para sobremesas com frutas no ínicio da semana etc... Portanto não adianta fazer um menu antes, pq se falta algum ingrediente, vc terá que mudar tudo outra vez. AQui o que conta é a criatividade no momento.
Eu por exemplo, não planejo nada, exceto nas compras, onde conto a quantidade de dias e divido pelas carnes que farei multiplicado pelas pessoas que teremos a bordo. O resto, é esperar cada dia chegar, levantar, abrir a geladeira e deixar a imaginação fluir!
Também gosto de agradar os hóspedes, perguntando a preferência deles, que se possivel, sempre gosto de atender!
Como eu amoooooooo cozinhar, faço tudo brincando e me divertindo também!

Dá para ter uma idéia do que são os charters com a gente no Caribe! Agora é fazer as malas e embarcar! Esperamos por vcs aqui!(Andrea, nossa cliente de um charter que trabalhamos com a Moorings em BVI)(...) Sempre vou lembrar desta viagem com muito carinho e vontade de voltar logo. Eh, ve se vcs nao se acabam ai com os barcos encrencados, que a gente ainda quer fazer outra viagem com vcs... Saludos!
Andrea